Guilherme Aguiar (GA), um grande Dragão, deu uma entrevista muito interessante ao Correio da Manhã (CM).
E como GA, independentemente de todas as suas qualidades e todos os seus defeitos, nunca facilita (nos bons e, especialmente, nos maus momentos,) na defesa “desinteressada” e totalmente convicta dos interesses do FC Porto, o CM ficou sem nenhuma “caixa” daquelas que gostaria de ter para urrar contra o FC Porto. A tal ponto que o habitual comentador das entrevistas do CM, ficou com a bílis tão alterada, mas tão alterada, que teve de fazer um texto absolutamente manhoso, conforme poderão constatar no final do post (*).
Aqui ficam algumas passagens da entrevista:
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“Correio Sport – A hegemonia do FC Porto parece cada vez mais vincada...
Guilherme Aguiar – Infelizmente, porque é pena não haver mais competitividade. O FC Porto afastou-se dos mais directos rivais, fruto de uma organização que tem um rosto: Pinto da Costa. Nos últimos 25 anos é o denominador comum nas vitórias do FC Porto.
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CM - Acha que o FC Porto vai ultrapassar o Benfica em número de títulos ?
GA - Se mantiver a mesma hegemonia ultrapassa dentro de 15 anos. E os êxitos do FC Porto foram mais difíceis do que os do Benfica, que era o clube da capital e do poder instituído.
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CM - Como ficará o FC Porto quando Pinto da Costa deixar a presidência ?
GA - Não podemos fazer uma análise correcta sobre quais serão as consequências. Certo é que ninguém o conseguirá igualar neste século.
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CM - Guilherme de Aguiar poderá ser o sucessor de Pinto da Costa ?
GA - Não alimento esse objectivo nem tenho quaisquer ambições de suceder a Pinto da Costa. Mas na vida não coloco nada de parte. Os projectos em que me envolvo não partem de pressupostos pensados, as coisas vão acontecendo. Mas não tenho essa ambição e não estou a ver no meu horizonte próximo ou remoto que possa vir a ser presidente do FC Porto.
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CM - Pinto da Costa já está a preparar a sucessão ?
GA - O FC Porto não é uma monarquia. Quando ele sair é que se verá que tipo de dirigente se poderá abalançar a essa tarefa. Mas o FC Porto deixará de ser gerido por uma só pessoa e os grupos económicos serão importantes para encontrar o sucessor de Pinto da Costa. Os sócios também terão uma palavra a dizer mas os dados mudaram.
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CM - Não são os sócios do FC Porto que escolhem o presidente do clube ?
GA - O FC Porto não é só um clube desportivo, por muito que se tente distrair as pessoas. É um grupo económico, que não dá grande lucro mas tem uma grande valia competitiva. Em 1983, Pinto da Costa candidatou-se dizendo “sou portista, tenho um passado”, foi de porta em porta e acabou eleito. Agora as coisas são muito diferentes e, volto a dizer, os grupos económicos terão uma palavra muito importante.
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CM - De que grupos está a falar ?
GA - Dos grupos que forem accionistas do FC Porto na data em que Pinto da Costa abandonar.
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CM - Tem relações com os dirigentes do FC Porto, o clube não lhe pede que faça passar mensagens ?
GA - Não, porque eu não sou um representante do FC Porto, sou um mero adepto que fui convidado a participar neste programa (‘O dia seguinte’, na SIC) e noutros no passado. Esses contactos prévios não acontecem, eu não represento a Direcção do FC Porto. Sou amigo de Pinto da Costa mas ele gere o FC Porto sem precisar de falar comigo e eu também sou adepto sem ter de pedir o seu apoio. Temos uma salutar independência.
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CM - Como amigo, Pinto da Costa nunca lhe deu um puxão de orelhas por algo que tenha dito como comentador ?
GA - Nem eu admitiria levar um puxão de orelhas. E temos muitas vezes opiniões diferentes.
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CM - Não é estranho Jesualdo Ferreira não ter ainda renovado ?
GA - Quem conhece Pinto da Costa sabe que ele normalmente renova com os treinadores quando eles estão em baixa e Jesualdo está em alta. Jesualdo só sairá do FC Porto em condições anómalas, só por um litígio que possa existir ou por um contrato milionário que apareça. Em Portugal, tenho a certeza de que ele não troca o FC Porto por nenhum outro clube.
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CM - Acredita que até final da época a CD da Liga decidirá sobre o Apito Dourado, como foi prometido ?
GA - Mais uma vez falou-se de mais. Para haver uma condenação tem que se dar factos como provados, e a questão que se coloca é de que forma a CD poderá utilizar presunções para condenar antes de as decisões penais serem conhecidas.
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CM - E a justiça desportiva pode utilizar as escutas ?
GA - Tenho sérias dúvidas. As escutas telefónicas só são permitidas em determinados crimes e quando sancionadas pelo juiz – e há grande discussão sobre a eficácia e validade desse meio de prova.
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CM - O seu nome aparece no processo ‘Apito Dourado’ ?
GA - Em todas as escutas do ‘Apito Dourado’ que já foram publicadas nos jornais o meu nome nunca consta. É a prova da forma correcta como se trabalhou quando eu estive na Liga.
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CM - Planeia voltar a candidatar-se à Liga de Clubes ?
GA - Neste momento, não.
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CM - Acha que Scolari vai sair após o Euro’2008 ?
GA - Não sei. Mas já devia ter saído há muito tempo – e só não saiu porque não teve alternativas financeiramente compensatórias. Foi ele que escolheu ser anti-FC Porto e anti-Pinto da Costa.
(entrevista na íntegra aqui)
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É uma grande entrevista de GA.
Com a qual estou praticamente de acordo com tudo.
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Só uma nota sobre um ponto particular da entrevista – a primeira frase de GA (“…é pena não haver mais competitividade.”) poderia levar-me a dizer que dela discordo em absoluto. É que, para mim, se a diferença pontual fosse de 20 pontos eu gostaria ainda mais. Mas não, porque me palpita, até pelo jornal em questão, que GA a disse de forma devastadoramente corrosiva...
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(*) Aliás, e no seguimento do que acabo de dizer, dá-me até a impressão que o Manhoso pensa o mesmo.
A tal ponto, como disse, que o jornalista manhoso resolveu fazer um comentário (?) em que destila ódio por todos os poros ao entrevistado e ao FC Porto no seu (dele, Manhoso) próprio jornal. Senão vejamos: .
“Há mais de vinte anos, José Guilherme Aguiar, (…), actua no cenário futebolístico como ponta-de-lança do FC Porto, indiscutivelmente um dos mais fiéis e escudeiros de Pinto da Costa, a par de Reinaldo Teles, Adelino Caldeira e Lourenço Pinto. Para o bem e para o mal, o advogado de Arcozelo bem pode reivindicar um lugarzinho aos pés do caudilho no fresco que vier a perpetuar a memória dos gloriosos anos azuis e brancos, carregados de proezas agonísticas por jogadores e equipas de valor e triunfos de colarinho branco nos bas-fond da sociedade tripeira e nos corredores da jurisprudência.
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Com a medíocre e oportuna carreira política da praxe, que acabou por levá-lo à Vereação da Câmara de Gaia, Guilherme Aguiar tem desenvolvido ao longo de duas décadas, com convicção e prazer, o fanatismo que o celebriza enquanto pioneiro de um dos diversos programas televisivos do formato ‘três estarolas’, um projecto de expansão do sectarismo no futebol, sob uma auréola de progresso jurídico-desportivo, de que se orgulha, como um dos fundadores do ‘Direito Desportivo’ – (...)
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A assinatura dele está na Lei de Bases do Sistema Desportivo de 1990 e, por consequência, em toda a confusão legal que passou a condicionar o futebol e o Desporto português, com regimes jurídicos anacrónicos, organismos paralelos de poderes antagónicos e bloqueadores do desenvolvimento, através da estatização do associativismo, que conduziu a generalidade dos clubes à ruína e as Federações à dependência quase indigente do Orçamento do Estado.
(...)
A coroa de glória de Aguiar é o mandato como Director Executivo da Liga de Clubes, depois de ter deixado a direcção de Pinto da Costa em 1995, em particular nos anos do pentacampeonato portista, quando tudo funcionou na perfeição e Benfica e Sporting desapareceram do espectro de concorrência.
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Foi em tempos realmente extraordinários, com ele sentado na cadeira de comando, que se foi desenvolvendo o ‘Sistema’, essa figura medonha que recentemente ele próprio definia de forma curiosa, como “famigerado”.
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Uma das suas maiores proezas organizativas de controlo sistemático redundou na constituição de uma empresa única a nível mundial, tendo como sócios a associação patronal e o Sindicato. Foi o tempo da tomada dos direitos televisivos por parte da Olivedesportos, perante a complacência da Liga, que nessa altura perdeu, aparentemente para sempre, o simples poder de marcar os horários dos jogos das suas competições."