quinta-feira, 1 de junho de 2006

Contas

Alguém me consegue explicar as contas que foram apresentadas pelo FCPorto referentes ao período de Agosto de 2005 a Março de 2006 ?

É que pelo que li, fiquei com uma dúvida insanável - por um lado, parece que tivemos outra vez prejuízo e, por outro, parece que.... reduzimos o passivo ????

Será isto possível ???
Não me parece...

6 comentários:

Jorge Pinto disse...

Boa tarde.

Apenas uma achega à questão colocada: em termos muito gerais (até porque não conheço as contas da SAD), é possível acontecer essa situação. Sem querer entrar muito em questões técnicas, a verdade é que, financeiramente, o Resultado Líquido do Exercício (mesmo negativo...) não faz parte do passivo a que se refere a Comunicação Social, pelo que ambos poderão variar de forma independente. A título de exemplo, mesmo com resultados negativos, a SAD pode ter conseguido diminur as dívidas a terceiros, ao Estado, a Instituições de crédito, etc., que se traduziriam em diminuições do Passivo (naturalmente à custa de variações negativas noutras rubricas do activo). É igualmente importante salientar que apesar de nos mantermos no "vermelho", os números parecem indicar uma melhoria nos resultados.


Saudações.

ausentista disse...

não podendo entrar em detalhes, por razões de confidencialidade, apenas um comentário técnico:

pode-se reduzir o passivo se se reduzir simultaneamente o activo, o que não afecta os resultados.

imagine que tem no activo um determinado valor ( por exemplo um prédio) e no passivo uma dívida à banca. se vender o prédio, realiza dinheiro para amortizar o passivo. No entanto, o resultado não fica alterado.
Só ficará se entre o valor da venda do prédio e o valor da escrituração houver uma diferença. Se o prédio for vendido por um valor inferior ao do balan~ço, realiza-se uma menos valia que afecta negativamente os resultados líquidos. Se houver, pelo contrário, uma mais valia, os resultados são afectados positivamente. Estes resultados são "resultados extraordinários do exercício" porque são episódicos, não repetíveis, e não resultam da gestão corrente do negócio. No caso das SAD, o principal activo são os passes dos jogadores. Por isso, as suas contas são muito influenciadas por resultados extraordinários. Bons ( caso Deco ), ou maus ( como vai ser o caso do Diego que afectará negativamente as contas do segundo trimestre. Em teoria, as SAD devem ser geridas sem tomar em linha de conta as mais ou menos valias dos jogadores. As despesas correntes incluindo salários de jogadores deveriam ser cobertos pelas receitas correntes ( Champions, bilheteira, estádio, merchandizing, TV). O negócio dos passes devia ser trtado como um resultado episódico. Porquê? Porque às vezes vale mais usar um jogador util até ao fim do contrato, mesmo que no fim não haja mais-valias. Noutros casos, as mais valias compensas as muitas menos valias. O FCP tem óbvias mais valias no seu plantel, mas tambem tem imensas menos vaias. O problema do Pepe, que referi em entrevista, é paradoxal. O jogador só tem mais um ano de contrato... Daqui a um ano, se o contrato não for renovado, vale zero. Mas, o FCP não o pode dispensar. O que se recomendaria seria que o seu contrato fosse revisto e prolongado já, antes que seja jogador comunitário. Foi a má gestão politica destes casos que levou o sporting a perder o Figo, a ter que vender o quaresma e mesmo o cristiano por baixo preço. Porque o limiar do contrato deles era curto. Mas há um reverso : às vezes, prolonga-se e melhora-se o contrato de um craque e ele vira um calhambeque...
O equilíbrio entre estas situações é a mágica do futebl contabilistico. Descobrir barato, acertar na longevidade do contrato. Os clubes com boas finanças podem manter os craques, pelo menos até ao fim porque não precisam de fazer mais valias. Como disse, esta é uma avaliação objectiva. Não pretendo, nem posso, avaliar aqui publicamente as contas do FCP que tenho em meu poder. Para todos um abraço do

Fanático disse...

Muito Obrigado pelos V/ilustres comentários.
Mas ainda faço mais uma pergunta: e a questão do capital próprio ser tão reduzido também não é um problema grave?
Que consequências? O que pode obrigar a fazer?
Agradeço aos "técnicos das contas", esclarecimentos. Desde já
obrigado

O Situacionista disse...

Como ????

Eu já vou comentar as “contas”, mas antes...

Ausentista,
O Pepe só tem mais um ano de contrato ?
Tem a certeza ?
Não pode !!!!!
Eu já não tinha gostado nada da entrevista dele - elegia-se o melhor do campeonato.....quer naturalizar-se...se houver uma boa proposta, pode sair....etc...
Como o presidente já é nosso leitor (se não é, devia ser....), fica já aqui a questão:
– Sr. Presidente, de V.Ex.a não espero outra coisa que não seja a de já saber a resposta a esta pergunta – por quantos anos já combinou a renovação com o Pepe ?
Obrigado pela atenção que certamente já deu ao assunto.
É que sabe, tal como V.Ex.a, eu acho as contas “de papel” muito bonitas, mas só quando são a cereja no topo do bolo, porque as verdadeiras contas, para mim, são os títulos !!!!!
E este ano foi um bolo a dobrar...


Falando então das contas,

Afinal a dúvida é ...sanável !
Afinal é ...possível !
Isto de um “merceeiro” querer perceber as contas de uma “grande superfície” não é fácil...
Mas quando os professores são de qualidade extra tudo se torna mais simples, até surpreendentemente simples.
Depois de analisar 3 doutos pareceres (elaborados pelo Jorge Pinto, Ausentista e um outro que me chegou particularmente !! A todos, muito agradeço), creio que posso dizer que ....estou esclarecido (especialmente em relação à confusão em que estava).
No fundo existem dois tipos de contas que, a final, se conciliam – a corrente (anual) e a não corrente, ou seja:
1) Corrente: Despesas versus receitas (anuais)
2) Não corrente: Activo versus passivo
3) Depois ambas têm de ser analisadas conjuntamente.
Penso que percebi também algumas das nuances que podem existir...e não são poucas !

Mas agora, queria debruçar-me sobre um aspecto referido pelo Jorge Pinto até porque foi a ideia com que também fiquei.
Diz o Jorge Pinto - “É igualmente importante salientar que apesar de nos mantermos no "vermelho", os números parecem indicar uma melhoria nos resultados.”
Precisamente.
Parece que houve uma redução de cerca de 30% na massa salarial !!
A ser assim é uma redução brutal !!!
E com a saída do (salário do) Diego ainda não contabilizada...
Por outro lado reduzimos o passivo em mais de 15 milhões de euros !!
Estamos, então, também nas contas de papel, no bom caminho ???!!
Assim parece.
Ou nem tanto ?

P.s. – Ausentista, pelos motivos que invocou, desta última parte, está dispensado de se pronunciar...
Já agora, diga ao JGabriel que o destreinador deu, pelos vistos, uma entrevista à Dragões. Será que isso também quer dizer alguma coisa ????
A tese dele sobre a entrevista do destreinador ao “OJogo” é surrealista.....para não falar em grande lata....
Como se a comunicação social não nos prejudicasse sempre escandalosamente....
Será que ainda não lhe ofereceu o cházinho ????
Não ??
Eu vi logo !!

Jorge Pinto disse...

Boas.

Efectivamente (e saliento novamente apenas conhecer o que foi ventilado pela comunicação social), julgo que podemos concluir que também nas contas "do papel" como refere o Situacionista, nos encontramos no bom caminho. O aumento do Resultado Líquido (apesar de continuar negativo) e a diminuição do passivo são sinais animadores. Não podemos, contudo, esquecer que, neste tipo de actividade, há factores que podem, de um momento para o outro, inverter a situação (para um ou outro sentido...). Falo, por exemplo, da venda de um jogador que se concretiza ou não, tal como referiu o nosso Ausentista. Recordo, a este propósito, a proveitosa campanha de 2004, também em termos financeiros, que, no entanto, não evitou a situação pouco desafogada que os números permitem antever.

Neste aspecto, todos percebemos que ao sucesso desportivo, estará, em princípio, associado o sucesso financeiro. O problema é saber-se qual e de que forma queremos atingir primeiro: normalmente, para chegarmos a um, negligenciamos o outro. Felizmente, e apesar de não vivermos num mar de rosas, julgo que, nesta gestão, temos estado (com um ou outro aspecto mais discutível, nomeadamente após 2004...) bem servidos.

Abraço a todos.

Anónimo disse...

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